sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Congadas em Catalão (GO) celebram Nossa Senhora do Rosário



Começaram na madrugada de sexta-feira (30) as Congadas de Catalão, a 261 km de Goiânia. Celebrada desde 1876, a festa é considerada a mais antiga manifestação em louvor a Nossa Senhora do Rosário no Brasil e este ano reúne mais de 4.500 dançadores de congo.

As homenagens surgiram com o escravo Chico Rei, que misturava crenças do catolicismo com ritos afros para agradecer as libertações de seus companheiros.Ao toque de três apitos, os generais iniciam as congadas, que este ano tem a participação de 23 ternos de congos. O dançador Reginaldo Nascimento define a festa como "tradição, fé, cultura e muita emoção”.




A congada é uma festa de origem negra. É anterior a libertação dos escravos e no município de Catalão acontece desde o ano de 1874. Os agentes desta são em grande parte negros. Nesta cidade a festa é realizada pelos componentes dos ternos de Congo, Moçambique, Catupés, Vilões, Penacho, Marinheiro e Marujeiro, como forma de homenagear, agradecer e prestar devoção a Nossa Senhora do Rosário. 

Cantam e dançam lembrando sua relação com a terra, ar e mesmo o mar o qual muitos não conhecem. Entretanto, sabem que seus antepassados foram capturados e trazidos para o Brasil presos em navios negreiros e aqui tiveram que lutar por suas vidas e para que seus descendentes não tivessem a mesmo destino que eles.
Da mesma forma os integrantes da congada sabem que são discriminados e vítimas de racismo e que têm um poderoso instrumento para lutar contra isto. Por ter a cidade toda voltada para si durante o período da festa, estes a utilizam também para que, por meio da festa e mais especificamente da música e da dança, alcancem um maior número de pessoas. 



Serão dez dias de festejos com missas, terços e a apresentação dos ternos coloridos, no encerramento que será realizado no dia 9 de outubro.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A festa de Nossa Senhora do Rosário e a Congada



A festa do Rosário de Nossa Senhora no Brasil está ligada a grupos negros que realizam os autos populares conhecidos pelos nomes de Congada, Congado ou Congos. Por essa vinculação aos negros, o Congado se tornou também uma festa de santos de cor, como São Benedito e Santa Efigênia.

Embora alguns autores atribuam a gênese do Congado a uma influência européia, ligando-a às lutas religiosas da Idade Média, a hipótese mais forte é que defende a origem afro-brasileira do culto. É importante lembrar que o processo de catequese, através de missionários dominicanos, levara Nossa Senhora do Rosário à África, impondo seu culto aos negros. O acréscimo dos elementos de coroação de reis, lutas e bailados guerreiros é a contribuição africana, numa rememoração das práticas da Terra-Mãe.

Mas o traço decisivo da criação do Congado ocorrerá no Brasil colonial, através do processo aculturativo: de um lado, o modelo religioso do branco, de outro, a recriação do negro.

Para os Arturos, a festa do Rosário é uma das fases mais importantes para a vida da comunidade, representando o movimento máximo da concretização do amor à Grande Mãe. Há dois grupos nitidamente distintos: as guardas de Congo e Moçambique. A caracterização das guardas pode ser feita através dos seguintes elementos: fundamentação mítica, função, vestuário, símbolos condutores, instrumentos distintos, tipo de movimento e de dança, linguagem dos cantos.

Pela fundamentação mítica, as guardas se formaram ainda na África, quando uma imagem de Nossa Senhora do Rosário apareceu no mar. O grupo do Congo se dirigiu para a areia e, tocando seus instrumentos, só conseguiu fazer com que a imagem se movesse uma vez: num movimento rápido, Nossa Senhora se encaminhou para a frente e parou. Então vieram os negros moçambiqueiros, batendo seus tambores recobertos com folhas de inhame, cantando para a Santa e pedindo-lhe que viesse para protegê-los.

A imagem veio se encaminhando, no movimento do vai-vem das ondas, lentamente, até chegar à praia. 

A função das guardas se define através da narrativa mítica: o Congo puxa todos os dançantes, em movimento rápido, abrindo caminho; o Moçambique é o responsável pela Senhora, representada pelos reis cujas coroas a guarda conduz. O próprio vestuário se prende à estrutura do mito. Quando os moçambiqueiros usam as cores de Nossa Senhora - o azul e o branco - e os congos se vestem de rosa e verde, significando o caminho, com galhos e flores, para a Senhora passar. Indo à frente, o congo anuncia a chegada dos filhos do Rosário, preparando a passagem.

Dada a origem africana do ritual, alguns elementos materiais funcionam como fetiches, centralizando o poder e a força sobrenatural. Investidos de magia, transformando-se em símbolos condutores. 

Capitão de Coroa - Guarda de Moçambique 

Assim, o bastão é o símbolo de comando do Moçambique, enquanto a espada e o tamboril conduzem o Congo. A interpretação da origem dos fetiches está ainda ligada à fundamentação mítica, onde o Congo, abridor de caminhos, se arma pela espada, enquanto conduz o tamboril, símbolo dos instrumentos que moveram a imagem santa; o Moçambique carrega o bastão, índice de poder, por ter conseguido o resgate da estátua. 

Ainda no movimento da dança se replica a força do mito: o Congo se desloca rapidamente, enquanto é mais lento o movimento dos "donos-de-coroa". A dança dos congos é saltitante, marcada pela ginga e pelo cruzamento de pernas e pés; a direção assumida é da horizontalidade, com deslocamentos laterais (movimento pendular). O movimento do Moçambique assume uma profundidade que se caracteriza pela tendência à penetração: é como se o corpo do dançante quisesse varar a terra, batendo e voltando. Um dos elementos mais importantes para a distinção do Congo e do Moçambique é a linguagem dos cantos. Como guarda mais antiga, os moçambiqueiros são os senhores da música secreta e mágica, cantando a memória de África e dos antepassados. Com a mesma força criativa com que fez seus tambores de inhame para tirar a Senhora das águas, o Moçambique recria o canto, com improvisações que podem durar longo tempo: abre-se a caixinha mágica do inconsciente coletivo e a memória mítica aflora.

A linguagem do Congo expressa a religiosidade e a vida mais recente do grupo, através dos cantos que lembram os problemas sociais com o poder público e a Igreja, a história de guardas visitantes e as brincadeiras ou bizarrias. A estrutura do canto é fixa, limitando-se às improvisações. 

Fontes bibliográficas: Núbia Pereira de Magalhães Gomes e Edimilson de Almeida Pereira. 
"Negras Raízes Mineiras: Os Arturos". Juiz de Fora: Editora da UFJF/MINC, 1998. 
Arturos: Olhos do Rosário". Belo Horizonte: Mazza Edições, 1990 (textos sobre fotografias de Marcelo Pereira).  

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos em Salvador


Erguida entre 1704 e 1796, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos foi levantada por escravos e tingiu de azul o coração do Centro Histórico. Herança dos tempos anteriores à abolição, os fundos da igreja possui um cemitério de escravos. Está localizada no Centro Histórico de Salvador, na ladeira do Pelourinho. 

A igreja foi uma obra da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos do Pelourinho. É uma construção imponente, à qual se tem acesso por um pequeno adro gradeado, e possui um corpo central em dois pavimentos, coroado por um frontão de empenas em volutas, e ladeado por campanários cujo arremate é um coruchéu em bulbos superpostos. Ao rés-do-chão existem cinco portas, sendo que a central é mais ampla e emoldurada por um discreto frontispício, e acima delas, cinco janelas de delicado desenho.

O interior tem uma rica decoração em entalhes e azulejos pintados com cenas diversas. Os altares são em estilo neoclássico, e ostentam finas estátuas do século XVIII, de Nossa Senhora do Rosário, Santo Antônio de Cartegerona e São Benedito. Nos fundos da igreja existe um antigo cemitério de escravos. Preservando sua história ligada aos negros, a liturgia dos cultos faz uso de música inspirada nos terreiros de Candomblé. Nas datas comemorativas de Santa Bárbara e Iansã, a igreja é o ponto central dos festejos.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Festa da Congada em Uberlândia


A Festa da Congada, tradicional celebração religiosa promovida há mais de 130 anos em Uberlândia, começará nesta sexta-feira (30), a partir das 19h30. A festa é considerada patrimônio imaterial da cidade. Até o dia 8 de outubro, fiéis participarão de missas na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, em novenas com danças e músicas em louvor aos santos.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito
O encontro para orações terminará no domingo (9), quando as salvas de foguete anunciam a chegada dos tambores às 6h. O ritual marca a saída dos grupos de Congado de seus quarteis, localizados em 25 pontos diferentes da cidade. São diversas cores e estandartes que chamam a atenção pelas ruas e avenidas.




O trajeto dos desfiles começa pela rua Prata, no bairro Aparecida, às 8h. Em seguida, os ternos descem pela avenida Floriano Peixoto até chegar à praça Rui Barbosa e ao entorno da Igreja de Nossa Senhora do Rosário, prédio religioso mais antigo de Uberlândia.“A festa é uma das mais representativas da cultura afrodescendente de Uberlândia. É uma manifestação de fé, resistência e expressão cultural”, disse Carlos Silva Sousa, diretor de Assuntos Afro-Raciais (Diaafro).


Programação:
30 de setembro a 8 de outubro:
19h30 – Novena e Missas diárias
Dia 9 de outubro (domingo):
7h30 – Concentração dos ternos na casa do presidente da Irmandade (rua Prata, 890, bairro Aparecida)
8h – Desfile dos grupos pela avenida Floriano Peixoto
9h – Chegada dos ternos na praça Nossa Senhora do Rosário
10h – Levantamento dos mastros com as imagens de Nossa Senhora
17h – Apresentação da Banda Municipal
17h30 – Encontro dos Festeiros na Praça Tubal Vilela seguindo posteriormente para a Igreja do Rosário
18h – Procissão com as imagens de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito. Em seguida, haverá missa e coroação dos novos festeiros.
Dia 11 de outubro (segunda-feira):
18h30 – Despedida na casa do presidente da Irmandade.
20h30 – Despedida na porta da Igreja 


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Lavação da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito - Parte 3

A festa da Lavação


O Centro Cultural Humaita – Centro de Estudo e Pesquisa da Arte e Cultura Afrobrasileira propõe o resgate da arte e cultura afro em Curitiba, especialmente no que tange a esta importante parte da sua história.


A lavação da antiga Igreja do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito, no Largo da Ordem, começou quando, em 2009, duas mestras sambadeiras vieram para Curitiba ensinar o Samba Rural do Recôncavo Baiano, no Festival Paranaense do Samba. Durante um feliz e fortuito encontro, elas sugeriram à então primeira dama da cidade a lavação do Largo da Ordem. Em um Fórum de Capoeira sobre Ética e Responsabilidades Sócio-cultural, realizado em 2008, os mestres reunidos determinaram que para a cultura afro se fortalecer em Curitiba, seria bom haver uma atividade agregadora, acapaz de reunir na rua todas as manifestações culturais de matriz africana. As propostas tiveram ecos e, no ano seguinte, aconteceu, na abertura do Festival Paranaense do Samba, a Lavação das Escadarias de Igreja do Rosário, seguida de um cortejo de afoxé, pelo Largo da Ordem, até o Pelourinho de Curitiba, passando pelas árvores sagradas, na praça Tiradentes (Iroco). Com suas flores e águas perfumadas, as baianas encantaram os presentes, com seus cantos e batuques depois do culto inter-religioso realizado na Igreja.

Nossa Senhora do Rosário, no sincretismo, é Oxum, protetora dos dançarinos, artistas, preservadores da cultura de uma região e dona da fertilidade e da riqueza de um povo. A lavação representa a purificação da alma e é feita com flores e água perfumada.

Com potencial para se tornar uma grande festa do circuito de turismo religioso, a Festa da Lavação das Escadarias de Igreja do Rosário dos Pretos de São Benedito será realizada anualmente no dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, e celebrada com confraternização, música, dança e resgate de memória histórica e simbólica para a comunidade afrocuritibana, aberta a toda a população.

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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Lavação da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito - Parte 2

Sobre São Benedito, o Santo Negro


São Benedito nasceu na Itália em 1526, filho de etíopes escravizados. Em 1564 entrou para a ordem franciscana dos Frades Menores da Observância e foi para o Convento de Sta. Maria, em Palermo. Nesse convento, como leigo, trabalhou por vários anos na cozinha e diz-se que, nessa época, a comida se multiplicava milagrosamente em suas mãos. Em 1578, foi apontado como Guardião da instituição, cargo que aceitou com relutância, por sua humildade. Sua fama de santidade se espalhou por toda a Itália e, aonde quer que ele fosse, leigos e prelados lhe beijavam a mão e levavam um pedaço de suas vestes. Mais tarde, passou a vicário e a mestre dos noviços do convento. Sua habilidade para interpretar as Sagradas Escrituras impressionava tanto a eles como aos religiosos mais graduados e sua compreensão intuitiva das questões teológicas assombrava os estudiosos. 
Aos 63 anos, Benedito contraiu grave doença e morreu, segundo se diz, no dia e hora que previu, a 4 de abril de 1589. Benedito foi beatificado pelo papa Bento XIV em 1743 e canonizado pelo papa Pio VII em 1807. Ele é padroeiro de Palermo e dos negros da América do Norte e do Brasil. Na América Latina, a devoção a ele vai da Argentina ao México.
Desde o início do período colonial o Brasil conheceu a vitalidade da devoção à São Benedito, padroeiro dos negros e dos pobres, em todo o Brasil, com suas Congadas e Moçambiques.

A devoção católica desde a África

As devoções a São Benedito e a Nossa Senhora do Rosário já vieram prontas do Congo Africano, por obra dos missionários europeus, principalmente portugueses. De forma que proliferaram no Brasil as irmandades e confrarias dos negros e as festas de coroação dos reis.
Estas irmandades e festas tiveram imenso poder de congregar os africanos e afrobrasileiros, pois davam a eles uma identidade social, criavam uma rede de solidariedade e os assistiam depois da morte, enterrando-os em solo sagrado.
Confraria do Rosário em Minas Gerais
A devoção a N.S.do Rosário e S. Benedito não apenas trouxe conforto espiritual para esses negros, que vieram para cá cristianizados, como foi uma forma de controle social de um grande contingente de escravos que, muitas vezes, rivalizava com o de brancos, nas vilas e cidades coloniais, cuja economia era largamente dependente da mão-de-obra cativa. 
As confrarias do Rosário nas Minas Gerais do Século XVIII tiveram um papel social relevantíssimo, em que         pese o enorme contingente negro e miscigenado de sua população e, a exemplo das confrarias de São Paulo, entre outros, tinham os seguintes objetivos: “estímulo maior à solidariedade; fortalecimento do sentimento religioso pela devoção em conjunto; possibilidade de desenvolvimento do culto aos mortos; incremento do desejo de ser alforriado, pela adoção dos princípios de liberdade e a compra cooperativista da respectiva carta; o ensejo das festas coletivas, sem a incômoda fiscalização do 'sinhô'.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Lavação da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito - Parte 1

Algumas curiosidades sobre Nossa Senhora do Rosário

Nossa Senhora do Rosário foi o título recebido por Santa Maria, quando apareceu para São Domingos de Gusmão, em 1208 e lhe entregou um rosário, segundo a tradição católica. Ela se tornou o ícone da luta contra os hereges.

Em 1409, foi fundada em Dusseldorf, na Alemanha, a primeira irmandade de N.S.do Rosário, sob o nome de Irmandade das Alegrias de Nossa Senhora para Irmãos e Irmãs do Rosário. Em 1474, foi fundada mais uma em Colônia, que serviu de modelo para várias outras e, em 1481, já contava com 100 mil membros. Em 1478 surgiu, em Lisboa, a primeira Irmandade do Rosário dos Brancos de Portugal. Em 1496, na mesma Lisboa e quatro anos antes da Descoberta do Brasil, há menção a uma Confraria de N.S.do Rosário dos Homens Pretos em um alvará para distribuir círios e recolher esmolas nas caravelas que vão à Costa da Mina e aos rios da Guiné, na África. No Porto, em Portugal, existiram, entre 1650 e 1749, irmandades do Rosário dos Homens Pretos com reis Congos e danças e por volta de 1698, havia no Convento de S.Francisco uma Irmandade de N.S.do Rosário e S.Benedito.

Em 1441 teve início o tráfico de escravos. Nessa época, os dominicanos passaram a divulgar intensamente o culto a N.S.do Rosário na Europa, levando à multiplicação de igrejas, conventos e irmandades.

Ao mesmo tempo, os portugueses adotaram N.S.do Rosário como padroeira das navegações. A partir da expedição a Ceuta, em 1415, levaram ao resto do mundo a devoção a ela. Inclusive à África, onde passaram a converter os povos ao cristianismo, para garantir as posições conquistadas e o comércio de escravos.

Em 1526, foi fundada a primeira irmandade de N.S.do Rosário, na África, na ilha de São Tomé. Em 1606, foi erguida a primeira Igreja de N.S.do Rosário em Angola, na localidade de Cambande. Ainda na Angola do século 17 foram fundadas a Igreja de N.S.do Rosário das Pedras Negras e a Igreja de S.Benedito, em Massanango.

No Brasil, em 1586, os jesuítas fundaram várias irmandades do Rosário para congregar os escravos dos engenhos. Em 1639, uma Irmandade de N.S.do Rosário dos Homens Pretos foi fundada na Igreja de S.Sebastião do Rio de Janeiro. No século 17, várias outras semelhantes surgiram nas igrejas do norte e nordeste brasileiro, como em Recife, em 1674 e em Belém do Pará, em 1682 e, em 1686, na Igreja de N.S.da Conceição da Praia, em Salvador.

No século 18, as irmandades se tornaram a base da Igreja, assumindo o culto e a administração dos templos dedicados a seus santos. Irmandades de N.S.do Rosário dos Pretos, sob esse formato, surgiram em 1708, em S. João Del Rei; em 1715, em Ouro Preto.

Em Curitiba, a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito foi inaugurada em 1737. Construída pelos negros para que eles pudessem freqüentar uma igreja, pois não era permitida sua entrada nas outras igrejas. Demolida em 1931 e reconstruída em 1946, guarda em sua fachada atual azulejos originários da primeira construção. Já foi chamada também de “Igreja das Almas”, “Santuário dos Mortos” e “Igreja Matriz”, durante uma reforma da Matriz, na praça Tiradentes. 

Observa-se no início do século XX a demolição quase simultânea de um grande número de Igrejas de Nossa Senhora do Rosário em todo o Brasil, mais tarde reconstruídas.

As festas de Nossa Senhora do Rosário, as chamadas congadas, passaram a rivalizar com uma série de novas festas a partir do século XIX, como a Festa dos Reis Magos, a Festa do Divino, a Folia dos Santos Reis, que não existiam no século XVIII.

O nome de Nossa Senhora do Rosário serviu de topônimo para muitas vilas, cidades e povoados. Mas quando tornaram-se vilas, tiveram o seu nome trocado pelos homens bons que chegaram depois. Porém, no que tange a acidentes geográficos (rios, córregos, morros etc. do Rosário) e, principalmente, como nome de logradouros públicos, o Brasil todo está cheio de antigas ruas, praças, largos etc. do Rosário. Isto, sem falar dos que, no final do século XIX e começo do XX foram mudados, a exemplo de São Paulo, onde o Largo do Rosário passou a chamar-se Praça Antônio Prado e, a rua do Rosário, XV de Novembro.

Coincidência ou não, no Sul (mormente São Paulo) e litoral brasileiros, a partir de 1870 até meados deste século XX, uma nova e imensa leva de novos negros e de novos brancos chegou durante o chamado movimento “branqueador” dos paulistas.

Afirma-se que até meados do século XIX, a quase totalidade das vilas brasileiras tinham a sua igreja do Rosário ou, no mínimo, a sua irmandade de pretos e pardos.
Igreja Nossa Senhora do Rosário em 2011.

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